
Hoje em dia, diante de tantas oportunidades de caminhos a se tomar e coisas a se comprar, além de informações sobre todos os cantos deste mundo, com uma grande mistura de caracteres culturais, ter “estilo” é fundamental para consolidar seu papel dentro de determinado grupo social.
No entanto, essa brincadeira está saindo caro!
Falarei tudo com base unicamente em um exemplo que presenciei hoje: tênis all star por R$ 129,00. Vale antecipar que não tinha interesse em comprá-lo, mas é apenas por ter visto tamanha barbaridade. E outra, era do modelo básico, preto, normal, só que com aparência de desgaste do tecido, como se estivesse desbotado.
Lembro-me que há algum tempo, o indivíduo que usava all star era caracterizado como “pobre, pé-rapado, grunge, mendigo” entre outros, exceto, logicamente, os galãs de filmes e novelas que calçavam o belo par de tênis extremamente limpo.
Agora, com essa nova onda de EMOs e simpatizantes, o alternativo virou banal. A pessoa que usa aquele NICK SHOX gigante e todo colorido virou diferente! É claro que não uso isso, detesto nick shox!
Uma das coisas interessantes disso tudo: qual será o custo de produção de um par de all star? Imagino que não passa dos R$ 25,00 NO BRASIL (quem dirá nas fábricas instaladas em países de menor custo). Ele é super básico, modelo de fácil produção e montagem, não requer detalhes de design! Então, por que tão caro???
É … só consigo pensar na afirmação antes exposta: ter estilo custa caro!!
Além de tudo é um calçado que, usado cotidianamente, não dura um ano!
Eu tenho um par de all star surrado, sujo e fedorento, e a sensação de usá-lo é muito legal, pois me remete ao tempo de jovem alternativo, só que talvez apenas em mim surja tal sentimento, aos demais deve aparentar: “alá, mais um da modinha”.
Injusto, mas é verdade.
Alguns até poderiam dizer: “ah Guilherme, o motivo do preço é a lei da oferta e da demanda!”. Sem chance! Como já dito, ele é super simples de ser produzido e só usa matéria prima básica, não há motivos para ter seu preço aumentado por causa do maior consumo. Além disso, se fosse assim haveria escassez dele no mercado, só que não é o que acontece.
Percebi que a melhor forma de ter meu próprio estilo é não ter estilo nenhum! Usar camisa sem estampa, tênis discreto ou “sapatênis”, bermuda também sem estampa, não usar boné e nem brinco! Pronto, tenho meu próprio estilo sem ter estilo algum!
Agora me lembrei de outra coisa engraçada que foi deformada pelo tempo, o boné! Nos meus anos de juventude, era “descolado” aquele que usava boné com a aba toda dobrada, tão torta que até eventualmente quebrava! Hoje em dia, vejo um bando de maluco bizarro usando o boné com a aba reta!! Mas caramba, aprendi que boné com a aba reta é coisa de babaca, e agora??
É… se um desses que assim usam o acessório da cabeça me visse usando boné com aba dobrada, talvez pensaria: “credo, que nego trouxa, fica usando boné assim, não vai pegar mina nenhuma!”. Isso ou algo semelhante.
Ahh, quanto à questão do preço, boné, um acessório que só deveria proteger os olhos e a cabeça do sol, também é tomado pela onda do super estilo e tem seu preço jogado lá no topo do limite do poder de compra da grande maioria dos trabalhadores!
Pois bem, assim tem acontecido com tudo. Eu cheguei a uma conclusão:
Não ter estilo é a melhor coisa para conseguir ressaltar o meu próprio estilo, ou meu jeito de ser, como preferir, e ainda é muito mais barato!
Sinto-me um abençoado em poder andar na rua sem usar nada que demonstre status de “playboy“, “pegador” e coisas do tipo e não ficar com sentimento de ser um homem anômalo. É lógico que uma ou outra coisa acaba tendo estampa e “marca”, mas não tenho isso como fundamental ao meu vestuário.
O melhor disso tudo é que, em vista do que as demais pessoas usam, consigo ter meu “não-estilo” com muito pouco dinheiro.