As novas tendências do jornalismo
| Em Engraçadas, Interessantes, TV | 19/02/2010
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“Me ajuda aí, poooo!”
“Como já dizia Mauro Beting…”
“Balança, Brasil!”
Acredito que ao menos uma dessas frases você já tenha ouvido da boca de Datena, Milton Neves ou Geraldo Luis.
Pois é, isto é o que tenho notado nos programas de televisão. Cada vez os apresentadores estão interagindo com o telespectador ou mesmo com outras pessoas da produção, de forma a tornar o jornal mais atraente e engraçado.
Pelo que sei e lembro, Datena é o pioneiro do jornal no “bom estilo” gritaria. Berrar com seus jornalistas ao vivo, gritar com o rapaz que não libera a gravação da reportagem, e por aí vai… O próprio Geraldo Luis, que citei, aparenta ser um fã incondicional do Datena. Vai dizer que não repararam nos berros que ele dava em seu programa que mostrava reportagens bizarras?
Dando uma breve pesquisada, vi que o programa “Balanço Geral”, o qual Geraldo Luis apresentava para o estado de São Paulo, tem formato semelhante em todo país, sendo que no Espírito Santo, por exemplo, um apresentador muito mais punk grita e ainda faz comédia! Dê uma conferida:
Francamente, eu dei muita risada! Esse aí é o Amaro Neto. Selecionei mais um vídeo dele que vale a pena ver:
É ou não é uma comédia? Eu pretendia fazer um post um pouco mais sério, mas tive que me render perante tanta coisa engraçada que esses caras fazem na televisão.
O que estou querendo dizer é só um tendência que tenho observado, que os apresentadores estão cada vez mais próximos do público. Acredito que grande parte disso se dá por causa da expansão da internet, sendo que ou a televisão fica mais íntima do seu telespectador, ou esse daí vai para o computador e procura algo que lhe interessa.
Aquele modelo arcaico de jornalismo burocrático já não é mais viável nos tempos atuais. As pessoas querem notícia com divertimento. Prova maior disso é o super sucesso de CQC.
No entanto, na rede Record, pelas manhãs, há um infeliz que fica dando os mesmos berros que o já tão falado Datena. Eles só se esqueceram que às oito horas da manhã (perto disso, não lembro exatamente), NINGUÉM quer ficar ouvindo gritaria e xingamento. Haja paciência pra ver o cara berrar logo cedo! Uma vez que vi isso foi o suficiente pra esgotar minha paciência. Meu irmão passava pela sala e, sem ouvir eu xingar a TV, disse: “nossa, mal acordei e esse cara já fica gritando??!”.
Assim, tem que haver bom-senso na hora de colocar um fanfarrão desses no ar!
Até mesmo nos jornais impressos a coisa está partindo para outros rumos. Aqui onde moro existe um jornal que se chama “Já”. Nele estão presentes todos os tipos de atentados contra a língua portuguesa. Muitas coisas erradas e também muitas gírias. Fico revoltado quando vejo alguém lendo esse jornal, mas tenho que entender que ele busca captar consumidores com humor e baixa dificuldade técnica na leitura. As manchetes principais são +- assim: “Vovó doidona reage a assalto e bate no ladrão”, “Carnaval é curtição e a negada quebra o busão”. Não nestes termos, nem estas coisas, mas todas são praticamente dessa forma.
Qualquer bom empresário sabe que seu produto deve atender a determinado grupo de consumidores, e no caso específico do jornal o consumidor alvo é o ignorante, fruto de um país que defeca para a educação de seu povo.
Outra pessoa que mostrou saber destas coisas é Luiz Carlos Alborghetti. Ele faleceu ano passado, mas deixou um vasto arquivo de comentários e críticas a diversos assuntos, todos dotados de grande irreverência e humor. Separei um que é forte, mas também vale muito a pena:
Além de tudo, ele ainda fala aquilo que a grande maioria pensa (não, não é “enfia o dedo…”, é sobre Direitos Humanos mesmo…).
Sobre o Milton Neves eu nem preciso falar muito. O cara é um gênio, revolucionou o cenário do jornalismo esportivo. Tentaram imitar seu estilo de programa de diversas formas, mas poucos obtiveram sucesso. Um que se deu muito bem no noticiário com humor foi Tiago Leifert, apresentador do Globo Esporte aqui em São Paulo. Um jovem, que usa jeans e all star, apresenta o programa dando informações sobre os campeonatos que estão rolando e ainda faz um monte de piadas. Antigamente eu nem ligava para o Globo Esporte, mas agora sempre procuro assistir, pois é diversão garantida.
A TV Digital ainda não é uma realidade absoluta em nosso país. Embora muitos lugares já tenham a cobertura do sinal digital, estamos distantes de vivenciar a interação entre público e TV, pela própria televisão (não por meio do telefone), no entanto, tendo em vista que as emissoras já começam a mudar os velhos padrões, acredito que o futuro reserva boas novidades para nós.
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Eu, particularmente, não gosto desse tipo de programa. Minha vó adora, e como a televisão sempre fica ligada meio dia, volta e meia eu ouço o apresentador falar “iNgnorante”… já começa por aí.
Independente da minha opinião pessoal, acho que deveria rever quando fala que se a televisão não ficar mais íntima do seu telespectador, ele vai até o computador procurar algo que lhe interessa. O público que consome esse tipo de programa é um, o público que se mantém informado através da internet é outro. Esses programas aos quais você se refere são voltados às classes C e D pra baixo, e apesar desse público usar cada vez mais a internet, não vai trocar o “ingnorante” do Balanço Geral pelo “CORRÃO” do twitter.
@Deyse
De fato você tem razão quando diz sobre o público que assiste esse jornalismo barato. Cada programa precisa achar uma forma de prender a atenção do seu público alvo. No caso do “Balanço Geral” especificamente, o raciocínio me diz que quem assiste são aposentados e donas de casa, principalmente, pois outros não estão em seu lar no horário do programa. Agora se considerarmos a ordem natural da vida humana e as mudanças da sociedade, os aposentados (idosos em sua maioria) vão morrer; as donas de casa tendem a trabalhar, a não ser que o maridão tenha uma ótima condição financeira de manter a casa. Então, o público atual terá se perdido e o programa já não mais poderá manter o mesmo estilo.
Quando falo de a televisão ficar mais íntima do telespectador, digo de maneira genérica, os programas de TV como um todo. Tal como citei a questão do Globo Esporte; ao conversar com amigos, percebi que eles assistiam ao programa todo, pois é cativante, o apresentador é engraçado e o assunto interessa muito a boa parte dos brasileiros – futebol. Isso porque a grande maioria destes que comentei são pessoas que não ficam sem internet.
Talvez eu tenha feito um post com muitos assuntos e pouca fundamentação individual de cada, mas a ideia é: a TV briga com a internet por público; a TV tem que buscar atender aqueles que podem ligar o televisor em determinado horário; se a programação estiver um lixo e esse telespectador tiver a oportunidade de usar a internet, com certeza o fará; diferentemente da TV, a internet não precisa correr atrás das pessoas, seu conteúdo, na grande maioria, está disponível a todos, em qualquer lugar do mundo e em qualquer horário. Com base nisso, os programas de TV estão buscando mudar o foco, de modo a tornar seu público fiel.
Daí eu reforço a ideia: se a TV não tiver competência e criatividade pra manter e ampliar seu público, essas pessoas vão para a rede mundial de computadores. Assim, como tentei expor, os diretores dos programas estão cientes destes fenômenos e estão buscando atender a determinado público.
Outra breve análise quanto às classes sociais é que a tendência do país é de se desenvolver, então estas classes também passarão a “consumir” outros tipos de programas, então a TV terá que acompanhar isso, e com certeza irá tentar, pois eu que faço Direito, nada a ver com questões sociais e econômicas, percebi isso, quem dirá os grandes estudiosos que amparam as emissoras…
O post trata-se de uma análise do que está acontecendo, com uma breve projeção do futuro.